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Importância do Potássio no Cultivo do Abacate

Abacate, México,

A. Funções do potássio (K) em todas as plantas superiores

O catião potássio K+ é o catião mais abundante nos cloroplastos e no citosol das células vegetais (a matriz líquida que envolve os organelos funcionais da célula), mas não está fixado a nenhum órgão específico. Altas concentrações de potássio equilibram a carga negativa de todos os tipos de aniões orgânicos e inorgânicos, estabilizando e tamponando assim o pH do citosol a 7-8, determinando o potencial osmótico das células e tecidos vegetais. É altamente móvel nas plantas a todos os níveis: dentro das células, dentro dos tecidos e no transporte a longa distância através do xilema e do floema. Esta elevada mobilidade permite-lhe tornar-se um fator multitarefa no metabolismo das plantas. Para além do seu papel na manutenção do pH, da CE e do potencial osmótico, o K tem um efeito importante nas enzimas e coenzimas, estabilizando a sua estrutura e atividade. Estas enzimas e coenzimas estão envolvidas em cerca de uma centena de processos fisiológicos nas plantas, como a divisão celular, a transpiração, a fotossíntese, o metabolismo dos açúcares e dos lípidos, a síntese de proteínas, a redução do stress biótico e abiótico, a tolerância ao inverno, a resistência às doenças e às pragas, o crescimento e a qualidade dos frutos antes e depois da colheita.

O potássio desempenha um papel excecional nas relações planta-água. É fundamental na regulação do balanço hídrico e da pressão de turgor, controlando a abertura e o fecho dos estomas foliares através do controlo das concentrações de açúcares nas células guarda (ver fotomicrografia ao lado). Assim, é o potássio que influencia grandemente toda a atividade fotossintética e respiratória da planta, afectando, por sua vez, todas as outras funções do aparelho vegetal.

Além disso, o K+ é o principal catião que acompanha os aminoácidos aniónicos, os ácidos gordos e os açúcares dentro da planta, desde a sua origem nas folhas até aos seus depósitos nos rebentos, inflorescências, frutificação, desenvolvimento dos frutos e todas as partes do sistema radicular, alimentando-os com hidratos de carbono e aminoácidos.

B. A importância específica de um nível adequado de K para os abacates

Tendo em conta os factos acima referidos, o potássio desempenha um papel fundamental, que determina o desenvolvimento do abacateiro, principalmente das seguintes formas

1) Resistência ao stress térmico e à seca, especialmente durante a floração, a frutificação e as primeiras fases de desenvolvimento do fruto. Esta função é muito importante para o rendimento final do abacate, uma vez que a árvore é muito sensível a estes stresses. Se os estomas da árvore não se fecharem imediatamente perante uma nutrição insuficiente em K, a árvore pode desidratar-se rapidamente. Isto causará uma queda rápida das flores, dizimará a taxa de frutificação e fará cair os frutos recém-formados. Isto pode resultar numa perda quase completa da produção total da estação. O stress hídrico também pode afetar negativamente a qualidade interna dos frutos (Moreno-Ortega et al. 2019).

2. O volume do fruto do abacateiro é inicialmente composto por cerca de 80% de água, que normalmente diminui ao longo da estação e é substituída por óleo (ver a Figura 1). Um estado de hidratação insuficiente da árvore reduz severamente o crescimento do fruto, especialmente se isso acontecer em fases críticas de crescimento, durante as quais o tamanho final do fruto é determinado. Isto terá um efeito prejudicial nas variedades que normalmente produzem uma parte significativa de frutos pequenos e menos comercializáveis, como é o caso da variedade muito popular 'Hass'.

Como já foi dito, o abacateiro é muito sensível ao calor. Felizmente, quando a árvore tem um bom estado de hidratação, pode

arrefece-se a si própria abrindo positivamente o seu sistema de estomas. A transpiração maciça, mas controlada, de água através do seu sistema de estomas pode reduzir consideravelmente a temperatura da árvore para um intervalo tolerável. Portanto,

Tripla função do estoma

Os catiões K+ conduzem açúcares, aminoácidos e ácidos gordos das fontes para os reservatórios, como rebentos, flores, frutos e raízes. Um estado adequado de K na árvore pode minimizar os danos que as ondas de calor (actuais e as previstas para as próximas décadas) podem causar às plantações subtropicais de abacate (Moreno-Ortega et al. 2019).

4. Como referido nos pontos 1 e 2, o crescimento do abacate caracteriza-se por uma redução contínua do teor de água e, paralelamente, por um aumento do teor de óleo. O papel preponderante do potássio na síntese e translocação dos ácidos gordos tem, por conseguinte, um efeito importante no processo de crescimento do abacate, no seu tamanho e no seu elevado valor nutritivo para o homem, enquanto excelente fonte de óleos mono e polinsaturados.

Um aspeto adicional sobre a importância do potássio na cultura do abacate é o facto de ser um superalimento graças ao seu teor muito elevado de K (485 mg/ 100g), que é 40% superior (peso/peso) ao da banana. Por conseguinte, é do interesse dos consumidores e dos produtores obter um fruto tão rico em potássio quanto possível.

5. Um teor adequado de K no abacate é um pré-requisito para a sua vida pós-colheita em termos de qualidade interna. O equilíbrio entre as concentrações de potássio, cálcio e magnésio é um fator importante, que determina a cor do mesocarpo (polpa). A deficiência de K, expressa por uma elevada relação (Ca+Mg)/K, aumenta significativamente a coloração castanha dos frutos "Hass" devido a uma atividade excessiva da polifenol oxidase. Os frutos com deficiência de K reduzem facilmente o seu valor estético devido à descoloração do seu sistema vascular (Mhlophe & Kruger, 2013).

6. Por outro lado, o excesso de potássio na planta pode aumentar o transporte no floema e diminuir o nível de cálcio no fruto devido à diminuição do fluxo no xilema. Por conseguinte, a taxa de aplicação de potássio deve ser calculada com muito cuidado.

7. A interação acima referida entre K+, NH4+, Mg2+ e Ca2+ também ocorre ao nível das raízes no solo, onde todos estes nutrientes catiónicos competem entre si para serem absorvidos pelas raízes da árvore. Neste contexto, deve ser mencionado que a absorção de K pelas raízes é altamente selectiva e está intimamente ligada à atividade metabólica do abacateiro.

Em resumo, pode-se dizer que o abacateiro deve ser abastecido com quantidades abundantes de potássio para produzir mais unidades de frutos e uma melhor qualidade externa e interna dos mesmos. Além disso, como uma grande parte dos nutrientes absorvidos do solo acaba nos frutos, que acabam por ser exportados do pomar, é essencial repor continuamente os níveis de potássio no solo para as colheitas da estação seguinte.

C. Absorção de potássio em abacateiros

O abacate é um fruto único que pode permanecer na árvore até 18 meses depois da floração da primavera, durante os quais o fruto em desenvolvimento é um forte recetor de nutrientes. É muito importante fornecer ao abacateiro os nutrientes necessários na altura certa, quando são fisiologicamente necessários. A aplicação atempada maximiza os rendimentos, melhora a qualidade dos frutos, aumenta a absorção de nutrientes e a eficiência da sua utilização.

A figura da esquerda mostra que as taxas de absorção de azoto e de potássio são muito semelhantes durante as primeiras fases de crescimento, mas a partir de novembro (hemisfério norte), a taxa de absorção de potássio aumenta acentuadamente em relação à de azoto. A figura da direita mostra que, durante todas as fases de vida de um abacateiro, as taxas mais elevadas de concentração de potássio se encontram no tronco da árvore, um pouco menos nos frutos e muito menos nos rebentos.

Literatura citada

Abercrombie, R.A. 2009. Fertilização. In: The Cultivation of Avocado (eds. De Villiers, E.A. & Joubert, P.H.), pp. 142-150.

Stones, W. 2009. Gestão em resumo. AvoInfo 166: 8-9

Lovatt, C. 2015. Otimização do estado nutricional do abacateiro 'Hass' para aumentar o lucro do produtor - uma visão geral. VIII Congresso Mundial do Abacate, Lima, Peru. 2015.

Rosecrance, R., Faber, B., Lovatt, C. 2012. Califórnia, padrões de acumulação de nutrientes em frutos de abacate 'Hass'. Better Crops, 2012, No. 1. Vol. 96. Pp. 12-13.

Guerrero-Polanco, F., Alejo-Santiago, G., Sánchez Hernández, Bugarín Montoya, R.R., Aburto-González, C.A., Isiordia-Aquino, N. 2018. Resposta da cultura do abacate, variedade Hass à aplicação de nitrato de potássio. Ata Agron. (2018) 67 (3) p. 425-430.

Mhlophe, S.D. & Kruger, F.J. 2013. Abordando o distúrbio de coloração vascular pós-colheita do abacate 'Maluma' (Persea americana Mill.) Fruit. Proc. 2º Congresso de Horticultura de Toda a África, Eds: K. Hannweg e M. Penter. Ata Hort. 1007, ISHS. 2013

Autor

/O. Achilea. Doutoramento.

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