

Os morangos fertirrigados com nitrato têm maior biomassa e maior teor de carboxilase e cálcio.
Bagas, Fertirrigação, Morango, Morango, NH4+, NO3-,
Foi estudado o efeito no morangueiro de quatro temperaturas e cinco relações NO3-/NH4+ a um N total constante na fertirrigação (Quadro 1). A solução foi a fertirrigação em vasos de 1 L utilizando uma técnica de fluxo contínuo. Foram medidos o consumo de N total, o consumo de NO3- ou NH4+, o desenvolvimento das plantas e a quantidade de iões minerais nas folhas e nas raízes.
A absorção máxima de N pelas plantas dependeu da relação entre a temperatura e o estádio de crescimento, com a absorção mais elevada durante o estádio de crescimento vegetativo a uma temperatura de 25°C. Em quase todos os casos, a absorção de N foi maior quando as fontes de N estavam presentes na solução nutritiva. Durante a floração e o desenvolvimento dos frutos, as plantas mostraram uma preferência pela absorção de NO3-. Quando a colheita estava concluída e as plantas apresentavam crescimento vegetativo, observou-se uma absorção preferencial de NH4+ em relação ao NO3-. Esta mudança de preferência a favor do NH4+ pode ser devida a variações no teor de hidratos de carbono em vários órgãos da planta ou a alterações no metabolismo interno associadas ao desenvolvimento vegetativo ou reprodutivo.
Um maior conteúdo de matéria seca foi encontrado em plantas nutridas exclusivamente com NO3-, em comparação com plantas nutridas com NH4+ em temperaturas extremas de 10° C e 32° C. Em contraste, a temperaturas normais de 17° C e 25° C, as plantas que receberam uma solução nutritiva com uma relação máxima de NO3-:NH4+ de 1:1, obtiveram folhas com maior peso seco em comparação com NO3- sozinho (Tabela 1).
A baixas temperaturas, as plantas nutridas com NH4+ não apresentaram danos nas raízes, enquanto que a temperaturas mais elevadas na zona radicular, as raízes destas plantas desintegraram-se. A explicação para este facto é a seguinte: é muito provável que se deva ao facto de o metabolismo do NH4+ ocorrer exclusivamente nas raízes e necessitar de hidratos de carbono dentro das células das raízes, enquanto existe uma intensa competição com a respiração pelas reservas de açúcar. Com temperaturas mais elevadas, a necessidade de açúcar nas outras partes da planta também aumenta, aumentando esta competição.
Na maioria dos casos, foi encontrado um efeito significativo da forma de N na concentração de catiões. Em plantas nutridas com NO3-, K+, Ca2+ e Mg2+ a concentração de N nas raízes foi maior em comparação com plantas nutridas com NH4+. Nas folhas, o Ca2+ também foi maior nas plantas nutridas com NO3-. O Mg 2+ foliar não foi afetado pela forma de azoto, e o efeito da forma de N no K + variou com a temperatura, com maior K + nas plantas nutridas com NO 3- a temperaturas inferiores a 17° C. Em relação à concentração de aniões, um aumento na concentração de NO3- nas folhas das plantas cultivadas com qualquer forma de N. As concentrações de cloro e enxofre aumentaram nas plantas nutridas com NH4+ e o P diminuiu nas plantas nutridas com NO3-.
O saldo da concentração total de catiões minerais menos a concentração total de aniões minerais (C-A) é nominalmente equivalente à concentração de aniões carboxilatos. Nas raízes, o teor nominal de carboxilato das raízes diminuiu com o aumento da temperatura em ambas as formas de N, e foi maior nas plantas alimentadas com NH4+. Em contraste, nas folhas de plantas nutridas com NO3-, o conteúdo de carboxilato não dependeu da temperatura, mas ainda foi negativamente correlacionado em plantas nutridas com NH4+. O conteúdo de carboxilato nas folhas em geral foi menor nas plantas nutridas com NH4+ do que nas plantas nutridas com NO3-. Isto explica-se pela redução de NO3- nas folhas, que está ligada à produção de ácidos orgânicos, ou a um maior consumo de carboxilatos nas plantas alimentadas com NH4+ a temperaturas mais elevadas. Os autores indicam a importância do cálculo do balanço iónico, que permite compreender a produção de carboxilatos nos diferentes órgãos da planta e demonstrar a importância da forma do azoto no metabolismo e no consumo em função da temperatura radicular.
Tabela 1. Efeito da temperatura da raiz e da relação NO3-/NH4+ no peso seco do morango (gramas de folhas/planta). As médias com a mesma letra não são significativamente diferentes entre cada tratamento de temperatura da raiz. * Plantas mortas devido a danos nas raízes.

Author
Ganmore-Neumann, R. e U. Kafkafi, 1985. O efeito da temperatura da raiz e da ração de nitrato/amónio em plantas de morango. II. Absorção de azoto, iões minerais e concentrações de carboxilato. Agron. J. 77:835-840.


